Desafio do Vídeo no Brasileirão: como blindar a inovação e evitar cópias?

Uma Nova Era na Copa Paulista: O "Desafio de Vídeo" Chega para Revolucionar a Arbitragem

A Federação Paulista de Futebol (FPF) anunciou uma inovação significativa para as semifinais da Copa Paulista de 2025. A competição, que garante aos seus finalistas vagas cobiçadas na prestigiada Copa do Brasil e na Série D do Campeonato Brasileiro do ano seguinte, será palco de um novo recurso: o "Desafio de Vídeo". Essa ferramenta inédita permitirá que os treinadores contestem decisões arbitrais através da análise de replays, marcando um passo importante na modernização do futebol paulista.

A iniciativa da FPF, com o aval da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Federação Internacional de Futebol (FIFA), busca alinhar o futebol nacional às práticas mais avançadas do esporte mundial, colocando São Paulo na vanguarda da tecnologia e da inovação.

O presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, expressou seu entusiasmo com a novidade: “Faz parte do DNA do futebol paulista não apenas acompanhar as tendências globais, mas também ajudar a escrevê-las. Com o apoio da CBF e da FIFA, damos agora mais um passo com o Vídeo Suporte estreando no Brasil, uma ferramenta que coloca São Paulo mais uma vez na vanguarda da tecnologia e em sintonia com as melhores práticas do futebol mundial.”

A Estratégia da FIFA para Democratizar a Tecnologia

A introdução do "Desafio de Vídeo" reflete uma estratégia global da FIFA de ampliar o acesso a tecnologias de arbitragem de vídeo, especialmente em competições com orçamentos mais modestos e infraestruturas menos robustas. A ideia é garantir que mais ligas e torneios ao redor do mundo possam se beneficiar do uso da tecnologia para reduzir erros e aumentar a justiça nas partidas.

Essa iniciativa se torna particularmente relevante ao considerarmos as dificuldades enfrentadas por competições menores em adotar o sistema completo de VAR (Video Assistant Referee), que exige um investimento considerável em equipamentos, equipe de árbitros de vídeo e infraestrutura. O “Desafio de Vídeo” surge como uma alternativa mais acessível e adaptada à realidade de muitos campeonatos.

Como Funciona o "Desafio de Vídeo"?

O "Desafio de Vídeo" se distingue do sistema tradicional de VAR em sua operação. Em vez de uma equipe dedicada de árbitros de vídeo monitorando todas as jogadas da partida, a responsabilidade de solicitar revisões recai sobre os treinadores das equipes. Eles podem pedir a análise de replays em quatro situações específicas consideradas cruciais:

  • Gol: Para verificar se a bola realmente ultrapassou a linha ou se houve alguma irregularidade na jogada.
  • Pênalti: Para determinar se houve uma falta dentro da área que justifique a marcação da penalidade máxima.
  • Cartão Vermelho Direto: Para avaliar a gravidade da infração que resultou na expulsão do jogador.
  • Identificação Errada do Jogador: Para corrigir a aplicação de um cartão a um atleta que não cometeu a falta.

Para acionar o “Desafio de Vídeo”, o treinador deve realizar um gesto específico – girar o dedo no ar – e entregar um cartão de solicitação ao quarto árbitro. A partir desse momento, o árbitro principal se dirige à área de revisão, localizada à beira do gramado, para assistir ao lance com o auxílio de um operador de replay.

Assim como no sistema de VAR, a decisão final sobre manter ou alterar a marcação original é do árbitro de campo. Cada equipe tem direito a duas solicitações de “Desafio de Vídeo” por partida. Se a revisão comprovar a correção da contestação do treinador, o pedido não é descontado, permitindo que a equipe mantenha suas duas oportunidades de revisão.

Vale ressaltar que, diferentemente do VAR tradicional, não há árbitros de vídeo dedicados. A ferramenta consiste em uma cabine equipada com um monitor e um operador de replay, localizada próxima ao campo de jogo. Além disso, os gols e as cobranças de pênaltis em disputas decisivas são revisados automaticamente pelo quarto árbitro, sem a necessidade de solicitação dos treinadores.

Uma Curiosidade Histórica

A ideia de utilizar a tecnologia para auxiliar a arbitragem no futebol não é nova. Já na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, houve controvérsias sobre um gol duvidoso na final entre Inglaterra e Alemanha Ocidental. Embora a tecnologia da época fosse limitada, o lance gerou debates e questionamentos sobre a necessidade de recursos para auxiliar os árbitros. Ao longo das décadas, diversas propostas e testes foram realizados até a implementação gradual do VAR e, agora, do "Desafio de Vídeo".

O "Desafio de Vídeo" vs. VAR: Quais as Diferenças?

A principal distinção entre o "Desafio de Vídeo" e o VAR reside na complexidade e no custo de implementação. Enquanto o VAR exige uma equipe completa de árbitros de vídeo, câmeras de alta definição em diversas posições no estádio e uma central de operações com tecnologia de ponta, o "Desafio de Vídeo" foi concebido para ser mais simples e acessível.

O Football Video Support (FVS), nome técnico do “Desafio de Vídeo”, foi projetado para ser utilizado em contextos com recursos financeiros e estruturais mais limitados, permitindo que torneios de diferentes portes se beneficiem de revisões em lances decisivos.

A iniciativa da FPF, com a implementação do “Desafio de Vídeo” na Copa Paulista de 2025, representa um avanço significativo na busca por maior justiça e transparência no futebol brasileiro. A expectativa é que a novidade contribua para reduzir erros de arbitragem e proporcionar partidas mais justas e emocionantes para os torcedores.